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Toda vez que olho para o mundo
Juscelino Barão Eu tinha seis ou sete anos quando o sentimento que descrevo agora me tocou pela primeira vez. Estávamos quase na metade dos anos 80 e a boa moral ainda tinha vez. Fui criado numa família que prezava os bons costumes. Nunca ouvi meu pai dizer um palavrão, contar ou se divertir com piadas obscenas. Nunca saiu de sua boca conversas tolas e sempre protegia a mim e a meu irmão de influencias negativas, meninos com mentes adiantadas para suas idades e que eram viciados em mentir. Proibições essas que sempre respeitamos. Nesta época tudo parecia tão fácil, bom e puro, menos pelo fato de eu não compreender como certos adultos se permitiam escutar, rir e aprovar as músicas de duplo sentido. Era muito estranho ver vizinhos que pareciam ter boa moral se divertindo com esse tipo de música. Minha mente infantil não conseguia entender. Eu pensava: ‘se a imoralidade é errada, como ele pode rir como que aprovando uma coisa destas. Ele deveria ficar indignado e desl...

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