PERFUME DE LAVANDA

Juscelino Barão


Encontrei na dispensa um produto que por causa da modernidade ganhou uma embalagem nova e diferente. Tomei nas mãos o lustra-móveis, abri a tampa e levei a abertura do frasco ao nariz para sentir o cheiro e eis uma ‘máquina do tempo’. Fui transportado imediatamente à nossa casa quando criança. Minha mãe tinha o cuidado de trazer tudo organizado, limpo e bonito. Em todos os móveis de madeira da casa ela aplicava aquele produto e com aquele mesmo cheiro. Consegui ver momentaneamente nossa sala, os móveis, a porta aberta com vento entrando espalhando o perfume bom de casa limpa e o sorriso maravilhoso de minha mãe.

Depois dessa experiência rápida meu coração se encheu de saudades. Confesso, ‘voltei na dispensa umas duas ou três vezes’ só pra sentir de novo aquele cheirinho bom e voltar no tempo. Só pra novamente ver nossa antiga casa e o sorriso alegre de minha mãe.

São Luis-MA, 16 de março de 2012

Comentários

Jéssica Almondes disse…
Muito interessante. É incrível a capacidade que o cérebro tem de associar cheiro a determinadas situações. Realmente marca. Acho que isso já aconteceu com todo mundo, pelo menos em algum momento da vida.
Unknown disse…
Não sei qual é o cheirinho da minha infância!
Será que não tenho memória olfativa?
Acredito que seria bom ter uma, vou procurar, talvez assim aumente a minha sensação de felicidade ao lembrar a mesma, e quem sabe assim ela me produza mais sensação tranquilizadora e talvez me acaricie.
Abraços.

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