VERDADEIRA INFÂNCIA




Juscelino Barão


Lembro-me muito bem do Cine Spark. Na parte de fora meu irmão e eu podíamos brincar por descer e subir correndo as escadas, ficar se balançando e virando cambalhotas nos ferros das grades de proteção dos corrimões e da escadarias.
Brincávamos assim praticamente todo dia, pois era lá a parada final dos ônibus da cidade. Só nos dias de domingo quando estávamos lá dentro a gente ficava quietinhos, quietinhos esperando a hora do filme começar. Quando as luzes do salão se apagavam e a grande tela se iluminava, nossos corações se enchia de emoção. Ruim mesmo era no fim do filme quando tínhamos que ir embora e a luzes se acendiam. Os olhos d-o-í-a-m...
Um dos últimos filmes que assisti lá foi "Os Trapalhões na Serra Pelada". Nosso pai (José Luis Barão - Perigo) nos levava para assistirmos todos os filmes dos Trapalhões. Umas das poucas coisas que eu conseguia me lembrar desse filme e que me marcou muito foi o final quando Didi sem querer encontrou uma pedra enorme de ouro. A sala do cinema naquela cena ficou toda iluminada de dourado. Achei aquilo simplesmente lindo, maravilhoso. Acho que é por isso que até hoje minha cor preferida é o amarelo.
Anos depois, consegui assistir novamente a este filme. Como que num passe de mágica tudo o que eu achava ter esquecido do filme me vinha a mente quadro-a-quadro, mesmo antes da cena aparecer na TV.
Meu coração relembrou as mesmas alegrias que tive outrora, mas agora com a sensação que de éramos muito ingênuos. Ainda bem! Viva a antiga infância, sem internet, celulares, SMS e jogos de computadores.

São Luis, 16 de agosto de 2013

Comentários

Anônimo disse…
Amigo Juscelino Barão,
Quanto mais vivo o tempo presente e imagino o tempo futuro, mais eu gostaria de voltar ao passado.
Abraços do seu cúmplice.
Unknown disse…
Encantada com cada história que eu leio, o quanto tão mágico e fantástico é suas lembranças.
O quando elas nós faz sonhar e voltar no tempo, com suas lembranças.
Fabuloso!

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