IMPLACÁVEL COMBATE

 


 

 

 

 

 



 

Paira novamente sobre mim
 tristes pressentimentos maus.
Eles me furtam o sono bem diante dos meus olhos
 e como dantes não posso nada fazer.
Povoa minha mente com receio
 e minhas carnes com um vulgar tremor.

Minha boca seca
 por mais que se derrame nela pouco ou abundante água. 

Do que fui feito? Das cinzas de um algoz?

Decerto findaria minha noite se houvesse em minhas mãos
 poder para empurrá-la quarto a fora.
E mesmo ela espontaneamente me deixando - ao amanhecer
 sinto que ainda me espreita.

São os medos - aqueles mesmos do passado
 voltando a me atormentar.
Vem trajados com outras cores, panos, máscaras e tecidos
 mas os reconheço pois tens o mesmo enfado cheiro. 

Eles não tocam em mim mas como cadáveres
 exalam putrefato e insuportável odor.
Não me tocam mas molestam-me como que sussurrando:
 haverá outra batalha quem sabe a derradeira.

Não semeio eu a paz? Por que me persegues buscando contenda?
Onde deixei meu scutum, minha gladius e meu pugio?
Não me lembro de ter sido forjado soldado.
Ou acaso é certo que deixarei em solo de batalha minhas lágrimas, suor e meu sangue?

Coisa certa é que ela me observa atentamente,
 espreitando-me e vigiando-me.
Atormentou-me longas e longas noites noutro tempo
 destarte leva hoje para distantes terras o meu sossego.

Seu intento talvez seja este
 evitar que eu durma, pois dormindo posso sonhar
 e sonhando posso lembrar
 do destemido guerreiro que um dia fui.

Assim, que eu durma homem gasto
 e acorde combatente exitoso
 já trazendo nas mãos o infindável soldo do meu triunfo
 na batalha que terei de travar.


Juscelino Barão

São Luis-MA, 11 de junho de 2014

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